
Temperaturas mais altas dos últimos 15 anos elevaram em 8% as vendas do sorvete em relação ao mesmo período do ano passado. No Estado a mão de obra teve um aumento em torno de 6%.
As indústrias de sorvete do Espírito Santo comemoraram as altas temperaturas e o baixo índice de chuvas registrado no verão de 2010. De acordo com o Centro Meteorológico do Incaper, esta foi a estação mais quente e seca do Estado nos últimos 15 anos. O calor serviu para aumentar as vendas de sorvete, que registraram um crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O setor ainda é bastante dependente das vendas registradas no verão, o que ressalta a importância dos bons resultados alcançados este ano. Uma pesquisa da Abis – Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes, constatou que dos 950 milhões de litros do produto fabricados anualmente, mais de 70% é consumido nos meses mais quentes do ano, ou seja, de setembro até março.
Para o presidente do Sincongel, Vladimir Rossi, o resultado destaca a cultura do brasileiro de consumir sorvetes numa determinada época do ano. “Diferente do registrado em outros países, o brasileiro assimila o consumo de sorvete com temperaturas elevadas, por essa razão há uma grande discrepância entre as vendas de sorvetes nas diferentes estações”, disse.
Atualmente, o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking mundial de consumo de sorvetes. Com 4,7 litros anuais por habitante, os brasileiros perdem para países com climas frios como Canadá, França e Suíça, onde o consumo chega a ser cinco vezes maior. Em média, o brasileiro ingere 4,7 litros anuais, menos de um terço do registrado em alguns países nórdicos e frios, como a Dinamarca. O mercado de sorvetes no Brasil movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano.
Investimentos
As empresas capixabas aproveitaram a alta nas vendas para realizar investimentos em equipamentos, carrinhos, pontos de venda e na criação de lojas próprias. O aumento da demanda puxou o aumento da produção, que por sua vez acabou refletindo no número de pessoas trabalhando no setor. De acordo com o Sincongel, o volume de mão de obra deve ter crescido em torno de 6%.
Apesar de haver ajuste no preço das matérias-primas, o consumidor desfrutou de preços baixos durante todo o verão de 2010. “A indústria local preferiu não repassar estes aumentos para o consumidor e manteve os mesmo preços praticados no verão do ano passado”, concluiu Vladimir Rossi.